Comentário – Aplicações em um mundo de Crise econômica

A crise econômica esta ai e nós pequenos investidores não sabemos o que fazer. Os grandes cabeças recomendam cautela e conservadorismo.

- É hora de dissuadir aplicação arriscadas e gananciosas, ainda mais se o investidor não tem perfil, formação. O ideal é poupar, ter calma e não ficar mudando de investimento – frisa o especialista em finanças pessoais da Probatus, Marcelo Henriques de Britto.

Uma idéia da rentabilidade dos principais investimentos:

Ranking de rentabilidade dos investimentos elaborado pela Andima

- Cada investimento terá tipos e níveis de risco diferentes. Mas a regra básica é que, em geral, quanto menor o risco do investimento, menor seu rendimento – afirma Di Blasi.

Vai abaixo algumas opiniões:

Poupança

É um investimento muito seguro que rende com base na taxa referencial (TR) do dia do depósito mais 0,5% ao mês. Os valores sacados antes do depósito completar um mês não são remunerados. A poupança rende pouco e, em períodos de inflação alta, pode não ter ganho real. Não há cobrança de taxas de administração nem de imposto sobre e rendimento. A TR varia e atualmente está em cerca de 0,2%.

CDB

Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) são papéis negociados pelos bancos para se capitalizarem. Eles podem ser prefixados, com rentabilidade e prazo definido na aplicação, ou pós-fixados, com ganhos atrelados aos CDIs (Certificados de Depósitos Interbancários). Os CDIs são taxas que balizam financiamentos entre bancos e que seguem a variação da Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Se a tendência é de queda da Selic, o melhor é investir em rendimentos pré-fixados. No caso contrário, será mais rentável investir nos papéis pós-fixados. Segundo o último boletim Focus divulgado pelo BC, a atual expectativa do mercado é de que a Selic seja elevada nas duas próximas reuniões do Copom e encerre o ano em 14,75%. Até dezembro de 2009, no entanto, os analistas esperam que ela caia para 13,50%.

Quanto maior o valor investido e o prazo para sacar, maior tende a ser a rentabilidade. O rendimento também será maior quanto maior for o risco da instituição quebrar. Se um banco oferecer retorno de mais de 100% da taxa do CDI, é porque ele é tem risco elevado, explica Di Blasi. O ideal é não concentrar todas as fichas em papéis de um único banco.

Os rendimento obtidos com CDBs são taxados pela Receita Federal seguindo uma tabela regressiva. Se os recursos forem resgatados antes de seis meses, a tributação é de 22,5% sobre o rendimento; de seis meses a um ano, de 20%; de um a dois anos, de 17,5%; e, acima de dois anos, de 15%.

Títulos do Tesouro Nacional

O investimento mais conservador que existe, ou seja, com o menor risco, é a Letra Financeira do Tesouro (LFT), que é praticamente imune aos riscos de preço e de crédito. A renda é pós-fixada, acompanhando a variação da taxa básica de juros (Selic) diária, o que elimina riscos de preço decorrentes de mudanças nos juros. A Letra do Tesouro Nacional (LTN) também tem pouco ou nenhum risco de crédito, mas tem de preço. O Tesouro faz leilão desses títulos e o preço flutua ao longo de sua vida, conforme as expectativas de juros.

Os impostos são os mesmos que incidem sobre aplicações em renda fixa. A Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) cobra taxa de custódia de 0,4% ao ano sobre o valor da compra do título. Os bancos ou corretoras cobram taxa de manutenção da conta de custódia e de prestação de outros serviços, se for o caso. O site do Tesouro Direto divulga uma tabela com os percentuais praticados.

Fundos

Não existe qualquer garantia oficial para investimentos em fundos no Brasil. Em todos os casos, deve-se evitar resgatar os recursos antes de seis meses de aplicação, já que o Imposto de Renda (IR) cai gradualmente, da mesma forma que no caso dos CDBs.

Fundos DI

Os Fundo DI investem nos Títulos do Tesouro Nacional ou em títulos privados, que podem ser de outros bancos. Entre os fundos, ele é o mais conservador porque também acompanha a rentabilidade dos CDIs. O risco de não se obter rendimento, portanto, é minimizado. No entanto, existe um risco maior de levar calote do que nos investimentos em CDB. Isso porque a rentabilidade do CDB só depende da saúde financeira dos bancos e tem a garantia do FGC. Enquanto no caso dos fundo DI, a rentabilidade depende do desempenho dos ativos. Os DI cobram taxas de administração que costumam ser bem altas em bancos de varejo.

Fundos Renda Fixa

São parecidos com os DI, mas a taxa que o investidor ganha é prefixada. Se na data do resgate as expectativas em relação à Selic apontarem para um juro maior do que as estimativas na data da aplicação, o investidor pode perder dinheiro.

Fundos Multimercados

Aplicam em diferentes investimentos, como dólar, ações e derivativos. São fundos mais arriscados e seu desempenho depende do talento do gestor. Como esses fundos têm forte exposição a ações, especialistas recomendam cautela. Quem já tem recursos investidos deve evitar sair. Resgatar significa vender ações num momento em que os preços estão defasados. Quem pretende entrar deve fazer uma boa análise de rentabilidade. E observar as taxas de administração e de performance (que pode ser cobrada quando o fundo atinge uma meta de rentabilidade). Nos multimercados, além da possibilidade de perder rendimento há risco de perda de patrimônio: o valor depositado pode encolher. Mas existem fundos de capital protegido, que garantem ao investidor, ao menos, a devolução do valor principal aplicado, ainda que a Bolsa caia. Essas aplicações costumam ser oferecidas apenas a investidores de alta renda.

Ações

O mercado de ações está muito volátil e o cenário ainda é muito incerto. De janeiro até esta quinta-feira, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, acumula perdas de 42,35%. As perdas recentes criaram boas oportunidades. No entanto, Hugo Azevedo recomenda apenas investimentos em ações blue chips, como papéis da Vale e da Petrobras, e alerta que os lucros só chegarão em dois anos.

Fonte: O Globo

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